SOS FORMOSA CIDADÃ

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SERRA NEGRA: A CAIXA D'ÁGUA DO MARANHÃO!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

AS TRINCHEIRAS DA FAZENDA “CAROLINA DOS MOREIRAS”


AS TRINCHEIRAS DA “CAROLINA DOS MOREIRAS”

Nos últimos anos, ao retornar de São Luis-MA, capital do Estado, onde permaneci por 13 anos, vim fixar residência em Grajaú, porém sem imaginar que aqui no sertão maranhense fosse impressionar-me com a imensa beleza e profusão da paisagem rural e campesina.
Como se não bastasse, em 29 de março do corrente ano completaram-se 200 anos de fundação da povoação do Porto da Chapada, levada a cabo pelo bandeirante e alferes Antonio Francisco dos Reis, no local onde antes existira uma fazenda de Manoel Valentin Fernandes.
Assim, imbuído do ideal de resgate histórico da memória da antiga Grajahú ousamos discorrer algumas letras por acidentes geográficos e acontecimentos históricos importantes da vetusta Chapada e da região onde nascem os rios Mearim e Grajaú – a Pré-histórica Serra Negra. onde nascem os rios Mearim e Grajaa  acidentes geograficos  dos Reis, no local onde antes existira uma fazenda de Antonio Valen    
Do Grajaú rumando em direção à Serra Negra, abunda um paraíso repositório de cabeceiras de rios, riachos, córregos, brejos, serras, morros, espigões, campinas e matas, onde a natureza ainda murmura e recebe com galhardia o curioso viajante, bem como o homem nativo - o sertanejo hospitaleiro.
Na confluência dos municípios de Formosa da Serra Negra, Fortaleza dos Nogueiras e São Pedro dos Crentes, nascem os rios Mearim e Grajaú. Estes dois rios inscrevem-se definitivamente nos principais índices de hidrografia do sertão maranhense, ambos fazendo parte integrante da bacia hidrográfica do Parnaíba.
A Serra Negra é um majestoso acidente geográfico e dos mais enigmáticos dessa imensa região típica do bioma Cerrado.
Daquela serra jorram dezenas de riachos e igarapés, os quais afluem para os rios Mearim e Grajaú, a exemplo do Grajauzinho, tributário deste último, o qual nasce nas escarpas da Serra Negra, banhando a tradicional povoação da Varjota, um próspero povoado, já aspirante a Comuna.
Há quem denomine a Serra Negra de “Caixa D’água” do Maranhão, título atribuído à sua prodigiosa capacidade hídrica, uma vez que a mesma é uma espécie de enorme olho d’água que brota do seio da terra.
Na obra “Compêndio histórico-político dos princípios da lavoura do Maranhão”, de Raimundo José de Sousa Gaioso, escrita por volta do final do século XVIII, porém publicada apenas em 1818, aquele intelectual nos dá uma noção da enigmática Serra Negra: “Entre o Mearim e o rio Grajahú há huma serra tão es-calvada, e os mattos tão rasos, que parecem tostados. Encontrão-se na dita serra grandes penedos com suas grutas naturaes. Correndo do cume delle, há hum reácho do agoa estilica, ou adstringente, que desagôa para o Mearim e Grajahú, do qual ainda se ignora a sua extenção.”
Nas cercanias dessa famosa serra, pulsa a bela e florescente urbe de Formosa da Serra Negra, às margens da rodovia MA-006. Dessa cidade à serra glosada, dista pouco mais de uma légua e a apenas uns 3 km das corredeiras do altaneiro Mearim, rio este que nasce, ganha volume d’água e corre aproximadamente por uns 100 km sinuosamente nos domínios rurais do município de origem, a bela, rústica e aconchegante Formosa.
Falando em rio Mearim, veio-me a propósito a indelével lembrança das profícuas leituras que ora realizei nos últimos meses, entre as quais marcou-me um episódio lamentável inscrito na história sertaneja de nosso Estado, o dantes denominado pelos historiadores com o cognome “Sertão de Pastos Bons”, a exemplo de Francisco de Paula Ribeiro, famoso alferes português que trilhou por essas plagas do ocaso do século XVIII, à aurora do século XIX.
Uma coletânia de artigos de extraordinário valor desmistificatório, sobre a “A Questão do Grajaú” foi escrita de forma fracionada na imprensa maranhense do início do século XX, no diário “A Pacotilha”, matutino da capital, posteriormente adquirido pelo magnata Assis Chateubriand, o qual, décadas depois, viria a ser senador do Maranhão, em situação análoga à do cavalo do césar Calígula que fora “eleito” ao Senado romano.
Concomitantemente, os referidos artigos eram publicados no “Jornal do Brasil”, veículo da imprensa carioca pelo intelectual, professor, historiador, geógrafo, sertanista e advogado Parsondas de Carvalho.
O resgate daqueles belos artigos veio a lume no alvissareiro ensaio escrito pelo magnífico escritor grajauense Sálvio Dino no opúsculo “Parsondas de Carvalho, um Novo Olhar Sobre o Sertão”, editado pela Ética Editora, em 2006, editora sediada em Imperatriz do Maranhão - a famosa metrópole Portal da Amazônia.  
Sálvio Dino vem a ser, por sinal, Presidente da Academia Grajauense de Letras, confraria fundada em 27 de janeiro de 2006.
Naquela obra, esse aludido escriba batiza sob o epíteto de “Guerra do Leda” os conflitos referentes à célebre “Questão do Grajaú”.
Ali, é de causar espanto a tamanha sanha assassina com que os partidários do Senador Benedito Leite, no Grajaú, praticaram contra os partidários leais ao liberal Leão Rodrigues de Miranda Leda, homem de incontestável liderança em todo o sertão de Pastos Bons.
Salta aos olhos os requintes de crueldade perpetrados pela Polícia oficial naqueles sangrentos anos de 1899, nas paragens do Grajaú, Vila do Riachão, Serra Negra, Serra da Cinta e outras localidades sertanejas naquele momento histórico da chamada República Velha no Maranhão.
O estopim da crise, segundo Parsondas de Carvalho, fora a morte do promotor de Grajaú, Estolano Polary. Eis o mote para a inexorável eliminação do líder oposicionista Leão Leda.
O Grajaú, a Cinta e a Serra Negra viraram carnificina, coisa dos tempos coloniais, pois só nas mais sangrentas rebeliões do Período Colonial Brasileiro, bem como nas revoltas da década sob as Regências de 1831 a 1840, houveram tamanhas atrocidades, a exemplo da Balaiada, rebelião que teve como palco a região das Aldeias Altas na outrora província do Maranhão.
A diferença entre aquelas revoltas do passado mais remoto e esta ocorrida em Grajaú foi o fato de que nesta última já estávamos sob o bastião da República, onde o respeito às leis é mais imperativo, até pelos próprios princípios que embasam o ideário republicano, desde a Ágora ateniense.
Um personagem bastante controvertido nesse episódio, sob o ponto de vista parsondiano é o próprio modus operandis pelo qual o senador da então Benedito Leite e Jefferson Nunes, político grajauense encarnam e dão ordens diretas aos chefes da força pública grajauense, a exemplo dos capitães Bibiano e Nicolau para que ambos caçassem Leão Leda, o líder do Sertão, “como se caça cutia”.
Após essa digressão sobre a memória do malfadado senador, resta estreme de dúvidas que a partir da divulgação maciça da “Guerra do Leda”, tenha-se a exata noção das atitudes políticas de Benedito Leite para com seus adversários, tomando-os como seus algozes e perseguindo-os diuturnamente, no afã de servir aos seus caprichos de vingança, caturrice e carrancismo.
A máscara há de cair no que diz respeito à biografia ora lustrosa do senador Benedito Leite, pois a História, como ramo do conhecimento humano tem compromisso com a verdade, isto é, com a fidelidade da versão dada aos fatos efetivamente ocorridos.
Nesse sentido, causa perplexidade uma passagem de Artur Colares Moreira, na obra “Gomes de Castro, Benedito Leite e Urbano Santos”, escrita em 1939, na qual afirma o autor a respeito do senador Benedito Leite: “Embora sob influência de temperamentos diferentes, nos traços característicos de suas individualidades, Benedito Leite e Urbano Santos se irmanavam na benignidade, incapaz, qualquer deles, de ferir ou de prejudicar ao adversário, por este ou aquele motivo injustificado e muito menos por partidarismo.” pág. 237.
Após uma afirmação destas, Parsondas deve estar se remexendo no túmulo. É como se diz alhures: “uma coisa é o fato em si, outra bem diferente é a versão dada a este”.
De minha parte, comungo com o estranho espanto sentido pelo preclaro magistrado e historiador Milson Coutinho, no prefácio da citada obra de Sálvio Dino, ora em glosa, toda vez que passa defronte à estátua de Benedito Leite em frente ao antigo Palácio do Comércio, em São Luis, no centro histórico da cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, onde lamenta: “Já não sei se posso passar nas imediações da antiga Praça da Assembleia, hoje Benedito Leite, com o mesmo respeito e aplauso que antes devotada à pomposa estátua desse político do passado, que agora me parece, por demais arrogante, e, afinal, assustadora”.
Na referidas matérias publicadas por Parsondas de Carvalho, no Maranhão e no Rio de Janeiro a partir do dia 20 de janeiro de 1902, após lê-los e perscrutá-los detidamente, confesso ter sentido praticamente a idêntica situação de Arquimedes ao descobrir na banheira de casa a resolução de uma intrigante equação matemática, ato contínuo tendo saído completamente nu, gritando esfuziantemente, em coro, a expressão: “Achei...!”.
É que na referida “Guerra do Leda” percebo que a antiga Fazenda Carolina existe ainda atualmente, ironicamente rústica, primitiva e impávida há mais de um século daquele sangrento episódio que veio a culminar com o deslocamento das forças do capitão Bibiano até àquele memorável rincão sertanejo, “distante há 15 léguas do Grajaú”, às margens plácidas do intrépido Rio Mearim, nos exatos moldes em que assentou o gênio de Parsondas através de sua pena doirada.
Este humilde escriba que vos fala por intermédio destas linhas esteve, in loco, na antiga e gloriosa Fazenda Carolina dos Moreiras, e qual a grata surpresa de, observando, perscrutando, olhando, enfim, analisando pormenorizadamente ter verificado e presenciado verdadeiras trincheiras de pedras, erguidas provavelmente em 1899, ainda praticamente intactas, apenas parcialmente cobertas por ralos arbustos, como mostrou-me o atual proprietário da antiga Carolina, o ilustre fazendeiro José Rodrigues, ancestral na linha colateral deste humilde escriba.
Pois, a propósito, José Rodrigues é filho de Emiliano Rodrigues de Araújo, tio de meu avô materno Alfredo Rodrigues de Araújo, ambos de saudosa memória.
A título de ilustração e prestando uma justa e honrosa homenagem, o Dr. Emiliano José Rodrigues, Juiz de Direito na outrora Nosso Senhor do Bonfim da Chapada, de 1871 a 1873, de tão rica memória, era tio avô de José Rodrigues, o atual proprietário da Fazenda Carolina, imortalizada por Parsondas de Carvalho, o filho da Vila do Riachão.
Retornamos, entrementes, às citadas “Trincheiras” da Carolina dos Moreiras, local onde resistiu bravamente Leão Leda ao ser acossado pelos sequazes do capitão Bibiano. Aquelas mesmas muralhas de pedras centenárias resistem à chuva e ao sol há mais de um século, motivo pelo qual ousamos afirmar que aquele pedaço do Sertão é, a rigor, um “museu” a céu aberto, pois nos combates insanos ali travados pela rendição e captura de Leão Leda, este não se entregou às forças da Polícia oficial, tendo a mesma retornado ao Grajaú decepcionada em seu afã de prender o líder do Grajaú que, após este episódio, empreendeu fuga para a Boa Vista, atual Tocantinópolis-TO, local em que viria a engalfinhar-se em outros longos combates políticos, desta vez tendo como rival o padre João, pároco daquela vila.    
Parsondas de Carvalho, como ele próprio afirma em suas crônicas insertas na “Guerra do Leda”, foi pessoalmente à Serra da Cinta, ao Riachão, ao Grajaú, porém não chegou a ir à Serra Negra testemunhar os vestígios da resistência do líder do Sertão, razão pela qual, quiçá, não haver em suas impressões sobre a guerra nenhuma menção às trincheiras comentadas acima.
Aquele é um local privilegiado. A Fazenda Carolina foi adquirida da outrora tradicional família Moreira - à qual pertencia a esposa de Leão Leda - em 1939, pela matriarca dona Juliana, mãe de Emiliano Rodrigues de Araújo, avó do octogenário José Rodrigues, que, como me confessou pessoalmente, aos 17 anos, em 1939, em companhia de sua avó Juliana e de seu pai Emiliano emigrou da Serra Branca, rincão próximo à Barra do Corda, na região da chamada “Travessia” – terra natal do saudoso juiz  Dr. Emiliano José Rodrigues – para a “Carolina dos Moreiras”, nas encostas da Serra Negra.
Este saudoso e doutor juiz nasceu naquelas plagas e, ao que se sabe, não deixou descendentes. Segundo declarações de parentes residentes em Grajaú, teria nascido prematuro aos 7 meses. Nunca contraíra núpcias e teria falecido, segundo José Rodrigues, aos 59 anos de idade, em decorrência de enfermidade não conhecida, tendo-se constatado, inclusive, que o mesmo era hipocondríaco.
Após estas tangentes divagações vimos informar da grata honra intelectual em podermos resgatar uma fonte física tão valiosa quanto o são as “Trincheiras da Carolina dos Moreiras”, testemunhas vivas dos sangrentos conflitos e matanças no Sertão grajauense, envolvendo ordens de altas autoridades regionais e locais naquele biênio histórico.
Ousamos afirmar que a questão do Grajaú, “data maxima venia”, é extremamente necessária para a compreensão das lutas travadas pelo domínio do poder político local e regional, no contexto dos primórdios da República no Maranhão e especialmente em Grajaú e em todo o Sertão de Pastos Bons, sob a hegemonia dos coronéis.
O episódio da Guerra do Leda é comparável em extensão e contexto ideológico à Balaiada, em se tratando das práticas de guerrilhas empregadas. Assim foram mortas famílias inteiras de sertanejos, simpatizantes e partidários dos liberais alheios, no mais das vezes, à conjuntura da política nacional, no âmago das fratricidas lutas protagonizadas pelos adeptos das correntes ideológicas de antanho, que ora gravitavam em torno da conquista e da manutenção do poder político.
Em arremate, urge envidarmos esforços no sentido do resgate e preservação de nossa memória histórica, haja vista que muitas relíquias do passado remoto foram destruídas ou deixadas ao esquecimento e alheias ao conhecimento público, em razão no mais das vezes à ausência de sensibilidade histórica, estética, cultural e antropológica da grande maioria de nossa sociedade, em decorrência lógica dos alarmantes índices educacionais do povo do Maranhão.

Raimundo da Silva Costa, professor com Licenciatura Plena em História pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, advogado com Bacharelado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA e cursando Pós-Graduação em Direito Processual Civil, pelo Grupo Educacional UNINTER, no Pólo de Grajaú/MA.

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Marcadores: Uma viagem no tempo e no espaço na região da Serra Negra
Local: MA-006 - MA, Brasil

terça-feira, 8 de maio de 2012

A MISÉRIA DOS TURISTAS TRABALHADORES


No Maranhão, agências são fachada para exportar operários para obras no Sudeste


COROATÁ (MA) - Se não havia como vencer a miséria, o motorista Júnior Rachid, de 34 anos, decidiu valer-se dela para sobreviver. Há um ano, comprou um ônibus Scania 112, de 1990, e passou a fazer parte do único negócio que prospera em Coroatá, cidade maranhense a 276 quilômetros de São Luís: o transporte clandestino de trabalhadores para as regiões Sudeste e Centro-Oeste do país, onde o corte da cana de açúcar e a construção civil os espera. A cada viagem, Rachid leva cerca de 50 pessoas, a maioria homens jovens, que apostam na estrada como a única chance de escapar da vida miserável e sem esperança no interior do Maranhão.
— Levo iludidos e trago arrependidos — diz o motorista.
Ao contrário dos migrantes do passado, que fincavam raízes onde desembarcavam, os passageiros de Rachid cumprem jornadas de trabalho temporário e depois voltam. No Maranhão, a migração sazonal movimenta de 500 mil a 1 milhão de pessoas todo ano. Quem quiser conhecê-la, basta chegar cedo às rodoviárias de Coroatá e das cidades vizinhas de Codó e Timbiras, todas as sextas-feiras, e acompanhar as cenas de famílias humildes despedindo-se do filho que sobe no “ônibus de turismo”.
A região dos Cocais, onde fica Coroatá, entre os vales dos rios Itapecuru e Mearim, no centro do Maranhão, é uma espécie de enclave da mão de obra barata que abastece o país. Uma estrutura fundiária extremamente arcaica, caracterizada pela predominância da grande propriedade, pela agricultura de subsistência e pela produção de óleo de babaçu, processo artesanal que lembra o homem coletor da pré-história — somada à ausência de alternativas de trabalho urbano —, faz da população local presa fácil para a indústria do tráfico de pessoas. Muitos que embarcam mal sabem para onde estão indo:
— Estou esperando um companheiro. Se ele aparecer, vou para as bandas de lá. Não sei exatamente onde, mas sei que é São Paulo — comenta Edmilson Gomes, de 46 anos, enquanto aguarda o embarque em Codó.
Ao pegar a estrada, o ônibus de Edmilson passa em frente à Unidade de Ensino José Sarney, em Timbiras. Prédios como este servem muito mais para homenagear a família que, há quase cinco décadas, domina o Maranhão do que para oferecer às cidades dali condições de romper a estagnação econômica. De acordo com o Censo de 2010, do IBGE, 72,15% dos moradores de Codó, com dez anos ou mais, não têm instrução ou não completaram o ensino fundamental.
Para o professor Marcelo Sampaio Carneiro, do Centro de Ciências Humanas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a onipresença de Sarney nos Cocais vai além de um nome na porta de uma escola. As raízes da estagnação, sustenta Carneiro, teriam crescido nos anos 1960, quando José Sarney, então governador do estado, criou a Lei de Terras, a pretexto de modernizar o Maranhão, e introduziu na região os grandes latifúndios, financiados com recursos da Sudene, e os grileiros:
— Os proprietários usaram a terra para acessar os fartos incentivos fiscais, formaram pastagens de baixa qualidade e compraram gado apenas para justificar o uso desses recursos. Hoje, a pecuária nem sequer é expressiva na região. Não há nenhum argumento que justifique o monopólio da terra.
Sem outras alternativas, essas cidades tiraram da desesperança sua vocação econômica. Na década passada, gente como Beto do Codó, Antônio Grosso, Francinaldo e Suelen começaram a montar uma rede de agenciamento de mão de obra barata nos Cocais. Eles se apresentam como donos de agências de turismo, que estão por toda parte, mas normalmente os ônibus partem cheios e voltam vazios. Uma das agências, em Coroatá, chama-se Clandestur.
O destino do esquema inicial era São Paulo, com suas usinas produtoras de cana de açúcar, mas o crescente processo de mecanização dessa lavoura reduziu as “encomendas” e os obrigou a diversificar o negócio. Na semana passada, por exemplo, a agenciadora Suelen, uma paulista de Pradópolis que não forneceu o sobrenome, embarcou 40 trabalhadores para as obras do programa Minha Casa Minha Vida em Macaé, no norte fluminense. Ela disse que o contrato com o “encarregado da obras”, que identificou apenas como Luís, prevê o envio de um total de 300 homens.
Em Coroatá, segundo a Comissão Pastoral da Terra, mais da metade dos 60 mil moradores são favorecidos com algum tipo de benefício social, principalmente a aposentadoria rural e o programa Bolsa Família. Mas, para os jovens locais, a renda é insuficiente para dar conta de seus sonhos. O maior deles, diz o vereador petista Sebastião Araújo, o Ciba, é a compra de uma motocicleta, ambição de nove entre dez “passageiros” das agências de turismo dos Cocais.
— Eles chegam a trazer as motos de São Paulo no bagageiro do ônibus. Por isso, mesmo com todas as mazelas do emprego que os aguarda, eles sempre querem ir — diz Ciba.
Antônio Carlos Gomes Lobo, de 31 anos, é um deles. Analfabeto, casado, dois filhos, trabalha na roça de mandioca, arroz e milho no povoado Nogueira, área rural de Coroatá. Ele viajou duas vezes — em 2006, para Uberaba (MG), e em 2009, para Guaribas (SP). Só não voltou porque ainda não conseguiu os R$ 170 cobrados por uma passagem nos ônibus de turismo.
— Quando eu conseguia cortar 300 metros de cana por dia, chegava ao fim do mês ganhando R$ 1,2 mil. Aqui, não existe emprego que pague a mesma coisa —garante.
Francisco Gilson Gomes Guimarães, de 33 anos, também gostaria de voltar, mas não poderá mais. Em 2008, conseguiu comprar uma moto com o dinheiro que ganhou no corte de cana em São Paulo. Dois anos depois, acidentou-se em Coroatá. Uma perna ficou mais curta e ele perdeu qualquer esperança de renda.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/pais/a-miseria-dos-turistas-trabalhadores
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terça-feira, 1 de maio de 2012

Educação do futuro e futuro da educação

 


Correio Braziliense – 14/01/12
Escolas em diversos países, entre eles o Brasil, se adaptam aos novos tempos e, por novos tempos, entenda-se, em muitos casos, a adoção de novas tecnologias na educação.
Computadores e programas aparecem como alternativas inovadoras aos tradicionais quadros-negros e livros impressos. Notebooks, tablets, lousas eletrônicas, associados a vídeos, jogos interativos, podcasts seduzem gestores, educadores, estudantes. No ensino a distância, os novos recursos parecem ainda mais promissores. A educação do futuro bate à porta das escolas e, com ela, indagações sobre o futuro da educação.
Afinal, como se sabe, educar em consonância com a atualidade não se limita a oferecer, em sala de aula, o que há de mais moderno em tecnologia da informação e da comunicação.
É o caso, portanto, de discutir o que esperar dessa tecnologia. Ela, de fato, beneficia o processo de ensino e aprendizagem? Como? Quanto? O debate está em curso há anos, mas permanece inconclusivo. Enquanto isso, mundo afora, hardware e software diversos disputam a atenção (e os recursos financeiros) de instituições educacionais do nível fundamental ao superior.
Como em todo debate, há prós e contras em cena. Entre os benefícios, pode-se destacar, por exemplo, a economia dos cursos on-line. Eles exigem menos mão de obra (especialmente em médio e longo prazo), dispensam locomoção e vários procedimentos logísticos, dispõem de recursos audiovisuais mais sofisticados, ampliam opções de cursos (ainda que alguns ainda não possam abdicar de aulas presenciais) sem que, para isso, sejam necessários elevados recursos financeiros. Basta imaginar os custos de construção e manutenção de um prédio e tem-se uma ideia da economia que representam aulas virtuais.
Essa incrementada educação a distância também parece ser a alternativa natural para milhões de potenciais alunos que não dispõem de tempo, recursos financeiros e preparo suficiente para disputar vaga nas instituições de ensino superior. Mas esses e outros benefícios não bastam para aplacar a desconfiança em relação a possíveis riscos da formação virtual, seja ela total ou parcialmente presencial. Nessa tecla, têm batido educadores de todo o mundo, que ainda têm dúvidas sobre a eficiência de máquinas para educar pessoas.
As dúvidas procedem. Entre os diversos estudos existentes sobre o tema, há um recém-divulgado pelo Centro Nacional de Política Educacional, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, segundo o qual 27% das escolas virtuais estadunidenses obtiveram “progresso anual adequado”, o padrão federal que mede os avanços educacionais no país. Quase 52% das escolas particulares tradicionais alcançaram esse padrão, porcentagem comparável à de todas as escolas públicas norte-americanas.
Por outro lado, parece evidente a atração dos recursos tecnológicos sobre crianças e jovens. Nesse aspecto, não se pode negar a relevância desses recursos. Para alguns professores, a ampliação de opções de material pedagógico também é bem-vinda. O desafio está em identificar os possíveis limites para a utilização de alta tecnologia na educação e o conteúdo mais apropriado para a formação escolar nesse contexto. Até que ponto computadores podem substituir professores? Quem e o que deve abastecer essas novas “máquinas educativas”?
A resposta a questões como essas não está apenas na economia. Está na educação, antes de tudo. A tecnologia pode ser poderosa aliada da educação desde que promova a transmissão de conteúdo de elevada qualidade e não substitua por completo a interação humana. De que valem sofisticados gadgets conectados a uma rede mundial inundada de informação se não houver pessoas que, por trás e diante deles, selecionem habilmente o que pode ser útil para uma formação de alto nível e promovam o debate sobre tudo o que se vê, ouve e lê?


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domingo, 22 de janeiro de 2012

JORNALISTA PREVÊ FIM DA ERA SARNEY EM BREVE. UFA!!!


DIAS CONTADOS

Para Luís Nassif, o Maranhão só vai se desenvolver com o clã Sarney fora do comando do estado

POR OSWALDO VIVIANI

O jornalista Luís Nassif, previu, em artigo publicado na quinta-feira (19) em seu blog da Agência Dinheiro Vivo (www.advivo.com.br), que a oligarquia chefiada pelo presidente do Senado, José Sarney, no Maranhão, está com os dias contados.
'A mais longeva dinastia política do Brasil – os Sarney, do Maranhão – está prestes a se esgotar. O patriarca José Sarney conseguiu sobreviver a todas as mudanças políticas do país nas últimas seis décadas. Menos à mais letal: a idade', escreveu Nassif.
Segundo o jornalista, Sarney, que completa 82 anos em abril, está 'com a cabeça ainda boa, mas o organismo não', e enfrenta, muitas vezes, 'problemas de depressão próprios da idade'.
José Sarney, para Nassif, não tem sucessor. 'A sucessora natural, Roseana Sarney, há muito mostrou ser de fôlego curto, para preservar a dominação dos Sarney sobre o Maranhão', avaliou o jornalista.
Após lembrar que o desenvolvimento econômico e social nunca chegou ao Maranhão sob o clã Sarney, apesar do grande potencial do estado, Luís Nassif afirma que 'se der sorte, a renovação política permitirá ao estado, finalmente, completar-se'.
Veja a íntegra do artigo, intitulado 'Com o fim da era Sarney, a vez do Maranhão':
Um fenômeno pouco analisado é a mudança de guarda no Nordeste, com o fim de velhos coronéis e velhas oligarquias e a entrada de uma nova geração.
Em alguns momentos, a mudança de guarda permitiu transformações relevantes trazidos pela própria alternância de poder.
No Ceará, em 1986 a vitória de Tasso Jereissatti permitiu essa alternância. O mesmo ocorreu no Piauí, com a alternância entre Hugo Napoleão e Wellington Dias, e em Sergipe, com João Alves rompendo a oligarquia Franco.
No Maranhão houve apenas o hiato de dois anos da gestão Jackson Lago, derrubado pelo poder político influindo no Poder Judiciário. Sem alternância, só restou aos grupos econômicos o alinhamento com os interesses do grupo político. Houve o atrofiamento do empreendedorismo.
Agora, a mais longeva dinastia política do Brasil – os Sarney, do Maranhão – está prestes a se esgotar. O patriarca José Sarney conseguiu sobreviver a todas as mudanças políticas do país nas últimas seis décadas. Menos à mais letal: a idade. Passou dos 80, a cabeça ainda está boa, mas o organismo não, muitas vezes enfrenta problemas de depressão – próprios da idade. E não tem sucessor.
A sucessora natural, Roseana Sarney, há muito mostrou ser de fôlego curto, para preservar a dominação dos Sarney sobre o Maranhão.
O Sarney que emerge nos anos 50, substituindo o velho coronel Vitorino Freire, trazia um sopro de modernidade e uma utopia comprada por seus eleitores: a de que, tendo peso político nacional conseguiria atrair grandes obras para o estado que, por si, promoveriam o desenvolvimento.
De fato, atravessam o Maranhão seis rodovias federais, três ferrovias, o estado dispõe dos maiores complexos portuários do nordeste, energia abundante de dois lados, da Chesf e de Tucuruí. E, ao mesmo tempo, ostenta os piores indicadores sociais do país.
É o estado com o menor número de policiais por habitante, de leitores hospitalares, um dos três piores em educação, saúde, saneamento e qualquer outro indicador de civilização.
Não tem sociedade civil, ao contrário do Ceará, lá não se desenvolveu o empreendedorismo, porque tudo submetido ao modelo oligárquico: só prosperavam negócios que interessavam diretamente aos Sarney.
Hoje em dia, o estado exporta soja in natura, por não dispor de um processador sequer. Exporta o ferro a Vale e o alumínio da Alcoa. Não conseguiu atrair uma fábrica sequer de laminado de alumínio, aço, uma indústria com cadeia produtiva robusta e não verticalizada.
Os arremedos de modernização – como a tal reforma administrativa de Roseana, decantada em prosa e verso nos anos 90, não saiu do papel. Não existe um plano de desenvolvimento, anunciaram 72 novos hospitais, não entregaram dez.
No entanto, talvez seja o estado nordestino com maior potencial de desenvolvimento.
Tem uma posição geográfica invejável, na transição da Amazônia com o nordeste, como ponto próximo à África e Europa, com bom regime de chuva, bacias hidrográficas perenes, 640 km de litoral e infraestrutura.
Não tem mão-de-obra especializada porque povo nunca esteve na mira dos Sarney.
Se der sorte, a renovação política permitirá ao estado, finalmente, completar-se.
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